Eu ainda não sei o quanto as taças quebradas, os treze andares e o mundo todo ao redor podem diminuir meu pesar pela renúncia da rotina.
Toda vez que olho para minhas malas, ali prontas no canto da porta, discuto sobre passado, presente e futuro. A idade chega. Os cabelos brancos crescem. E tenho cada vez mais distância da cama desarrumada, do café frio esquecido no criado mudo e do maldito apresentador dominical.
Quando faço um balanço do que esqueci, percebo que existem mais situações lembradas com dores e pesar do que memórias entusiasmadas. Sabe remorsos? Hipocrisia negar os arrependimentos do feito ou desfeito. Besteira! Existem sim lamentos. Ou ignora?
Na filosofia de botequim, palavras gastas em jornais de quinta e estações de rádio mal sintonizadas, continuo a busca pelo cansado e normal. Pelo mediano e entediado. Talvez um dia: malas guardadas, xícara de café lavada e um banho quentinho para marcar a hora de chegada no trabalho de oito horas - de segunda a sexta - numa rotina tranquila. Aquela incapaz de mover novas aventuras e desgostos. Apenas contando as horas para a chegada de um sábado indisposto.