Na minha infeliz rotina encontro uma moça especial - numa casualidade. Depois que contei a Ana, sabendo da afetividade que tenho por sopa de feijão, ela resolve me convidar para acompanha-la numa daquelas de panela de pressão, “feita em casa”. Fiquei encantado com o convite diferente. Houve muito carinho na cozinha ao ferver os temperos para o caldo quentinho. Entre uma conversa, um beijo e uma prova do sabor fervendo, a mãe dela telefona. Ficou inevitável escutar que o jantar ali borbulhando na fervura tinha sido feito pela matriarca e não por Ana... tiveram risos da situação - e pouco importou. Ela confirmou, e disse:
“não poderia te deixar partir sem dividir algo com gostinho de casa. Quisera eu saber o preparo. Na correria dei meu jeito. Irá gostar. Minha mãe preparou mesmo. Contudo, a panela e o tempero de carinho são meus”. Disse aos risos, meio envergonhada...
O calor da atitude misturada com os grãos pretos me aquece até hoje ao lembrar da gentileza - da demonstração de afeto naquela cozinha calorosa que infelizmente nunca mais pisei.