A década da mea-culpa

Às vezes acho que Oswaldo não superará o tantão que viveu naqueles anos. Foram as sensações mais extremas da sua vida. Tá certo que ele não estava bem; tá certo que ele não fez as escolhas mais corretas ou andou com as pessoas ideais. Entretanto, Oswaldo se pega chorando lembrando dela e escutando “Hey Daydreamer”. Ou até outra lágrima escorre quando toca “Florence” em alguma reunião de amigos, indagando o porquê Lívio escolheu partir mais cedo. 
O início da década foi um sonho. O surto foi tão intenso que a realidade transita entre sensações que o Oswaldo não sabe lidar ou reconhecer até hoje. Lendo as mensagens da rede social abandonada, ele percebe nos parágrafos mal escritos o quanto estava desalinhado com as consequencias. O quanto flutuou em nuvens cinzas e opacas. Não conseguiu julgar da maneira correta quase nada...
Passado-se anos daquele tempo vivido na loucura, Oswaldo ainda tem dificuldade em esquecer. Abandonar a recordação do texto sobre o lápis, ou aquela bike cool dada com carinho. Quisera ele ter usado um óculos mais ajustado para não ter sido tão míope num momento de muita extravagância. Tudo foi uma festa eterna sem sentido tocada numa vitrolinha hipster em meio a muitos sorrisos que jamais voltarão. 
Se acaso pudesse, ele desejaria com todas as forças o perdão e a aceitação do que não se pode mudar mais. Torceria para os erros se apagarem junto com uma noite bem-dormida. E por fim, conseguir um abraço de quem teria tanto a dizer, agradecer ou perdoar por coisas que não fazem o menor sentido. Apenas um “desculpe” já seria de grande valia para seguir adiante, olhando somente para frente e torcendo por uma nova chance nesse caminho estranho chamado vida. 


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Como tudo começou: