Mais Uma Vez



No ímpeto da adolescência, Oswaldo encantou-se com a beleza da Regina. Na época, os cabelos platinados, corpo de mulher e olhos bem delineados davam o tom da idealização. Paixão de criança!

Oswaldo, inexperiente, tentava driblar o platonismo e a projeção. Afinal, ele não conhecia Regina - apenas tinha uma atração física confusa. Coisa de gente nova. Não deu! Ele tentou cortejá-la ao som de “Crazy”, numa bela carruagem. Usou a mesma moeda de sedução: de fútil imaturo, do material efêmero - para material ingênuo.

Ao não acreditar em si, talvez ignorando sua essência, cometeu o primeiro erro: desconhecendo a personalidade da moça, apenas levando em conta sua beleza e seu modo, tentou desempenhar um papel que não lhe cabia. O máximo que conseguiu foi um beijo, uma saída e atropelos. Não era para ser assim...

O mundo deu voltas. Passou algum tempo. Um novo encontro. Mais uma vez Oswaldo não soube se expressar. Em meio a um noivado conturbado viu na Regina a idealização de anos passados. Buscou uma nova chance respaldada na crise que vivia. E mais uma vez, apenas na beleza estonteante da platinada. Nesse caso, a aliança foi colocada em cheque. Boiando dentro de uma taça de Heidsieck & Monopole.  Entre trocas de beijos, o batom rasgado em seus lábios foi para apenas um dia, mais uma vez. Novamente Oswaldo destruiu o que poderia ter sido e não foi. Ele, com todo o peso da traição nas costas, terminou com sua então noiva - valeu Regina em ter se encontrado com ele. Motivou a eminência da ruína de uma relação acabada.

Oswaldo, com sua idealização, se reaproximou da Regina depois de algumas primaveras (outra vez). Tomou um chope. Trocou mensagens com ela. No entanto, a moça havia crescido. Tinha outros pontos de vista. O intelecto transcendia a aparência. A beleza havia perdido o sentido. A admiração aumentou. O corpo da Regina foi deixado para trás. Apenas focando em seus olhos e em sua dissertação de novas expectativas de conhecimento. Puxa! Que mulher! Além de linda, tinha um preparo e sensibilidade fora do normal. Contudo, Oswaldo não teve, mais uma vez, tato em entender a moça. Com sua mania de controle e ansiedade deixou de lado o inesperado - afugentou mais uma vez a bela e (hoje) intelectual. Entretanto, desta vez sem borrões de batom.

Agora, nova chance! Sabe se lá porque os ciclos continuam. Uma reaproximação e uma afirmação: Oswaldo não conhece realmente a Regina. A iniciativa sempre foi platônica - não sendo real. Talvez, neste momento, a amizade e o sabor em ouvir possa levar adiante um laço. Ele nunca soube escutar. Sequer sabia dos mínimos da moça. Desconhecia seus gostos. Apenas presumia em sua prepotência e insegurança. Com mais maturidade o interesse está mais profundo. Deixando para trás os equívocos da adolescência, ansiedades e inseguranças. Resta saber se Regina estará disposta a exorcizar o passado, desconstruir a imagem do Oswaldo equivocado e começar do zero, vinte anos depois.

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Como tudo começou: