O Derradeiro Antes da Partida



Um Sptriz. Dois. Talvez três. O botão do elevador é digitado em andares aleatórios. As costas dela dificultam a precisão do apartamento certo, enquanto ele a pressiona contra o painel indicativo, sem dar a mínima para a imagem que o porteiro está tendo. Ali, naquele cubículo, ela sem cerimônia, em meio aos beijos, já tenta desfazer sua calça, tentando desabotoar seu cinto.

A porta se abre, o caminhar enrolado entre as portas dos vizinhos dá espaço a um corredor. No apartamento certo, já de calças no chão e sutiã desabotoado, o rubor toma conta dos rostos estupefatos. Quase uma indecência de quem sente a vida aos risos e sorrisos.

Trinco aberto, rolando pelo sofá. Mal dá tempo de se preocupar com os motivos de estar ali. Apenas ouve-se o tilintar dos brincos indo ao chão. Mãos buscando a bacia, para medir o ato. Seios apontados para seu olhar e muito suor de desejo e ansiedade.

Depois, num suspirar de vida. Naquele tantinho de tempo. Mãos dadas sob o lençol. Parecia nada. Talvez um orgasmo qualquer. Não ! Foi a realização de muitos anos de inspiração e vontade. Exorcizando o que era para ser, num passado prorrogado.

No final, depois de coxas amarradas, restou o belo. Uma cama. Um sorriso e poucas palavras. Não fazia sentido falar nada. O coito foi o derradeiro antes da partida. Cada um para o seu lado. Retornando as suas vidas ordinárias. Talvez, prolongar o fugaz num outono solitário? O gozo era só para aquele dia, para aquela hora. Para implorar por um tempo que não voltaria mais, nem que deveria interferir no relógio de cada um.

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Como tudo começou: