Pego-me com a etiqueta da camisa exposta. Cantarolando uma música esquecida. Suspiro com dez mil quilômetros. O que fazer? Limito cada metro do trajeto. Busco uma fala que não seja rasgada - um lamento bem agudo.
Ontem, na boate decadente, jurava que o casamento teria sido o mais importante. Não foi. Naquele espaço delinquente senti a cortada - o pulso.
Acordando, depois do punho rasgado, com o cheiro do tempo e poucas dores, notei a importância da partida. Grudado na tela do computador, gostaria de voltar. Congelar o casamento, o pulso, e revirar a estupidez.
Assobiando uma música lembrada. Choro com os tais dez mil quilômetros. No ímpeto do contágio, trago o afeto em letras embaralhadas. E faz sentido? Somo as peças - junto moedas. Parto.
Hoje, no frio do seu olhar dou conta das incertezas. Dos malditos desafetos - dos planos. Outra vez busco uma fala que não seja rasgada e revivo a estupidez. Consumido. Exausto com o não feito.
Perdendo a esperança, depois de entender as incertezas. Dos malditos desafetos - dos planos (agora malfeitos). Busco alguma lógica para o suspiro. Dez mil quilômetros?
Tênis desamarrados usados para andar o mundo no canto do quarto. Nada me faz perder o sono. Não os sonhos de amanhã acordar ao contrário. Etiqueta da camisa exposta. Botão da calça perdido entre o suor, pupilas dilatadas e remorço.