Na distância dos pensamentos. Na rotina da solidão me pergunto: por onde anda a humanidade? Esta indagação não se aplica, tão somente, a relações de riqueza e pobreza. Nem do mais forte ou do mais fraco. Pergunto sobre a humanidade entre os indivíduos mais próximos. Àqueles que nos circundam. Fabricamos amigos toda a hora. A feitura de afinidades se constituem entre um brinde e outro, ou numa curtida no Facebook. Nada de mais. No entanto, quando abraçamos o travesseiro, numa noite fria, sentimos o quanto está faltando "gente". O sexo se transformou em casualidade, o "eu gosto de você" muda de dono semanalmente. Os tons de afago e romance trituram as expectativas diárias. Pra que isto? Por que estamos ficando tão secos? Por que? Tratando em arrumar companhia tudo é fácil. Mas, e o futuro? E as relações mais sólidas? Repare: SÓ - LIDAS. Parece ironia o que queremos buscar inicia-se com "SÓ"!
Chegando
fino
Nos
aproximamos. Diminuímos a distância. Juramos fraternidade. E no
final? Não dá certo! Ninguém anda apto a mudar seus modos e
manter SÓ-LIDEZ. Tenta-se transferir a responsabilidade pro outro.
Neste caso, no parceiro ( aquele do "eu gosto de você"). O
que levava meses para honrar, e definir um propósito. Hoje nem dá
tempo. A SÓ-LIDEZ nem chega a ser constituída. As marcas de mágoas
já expandem no pensamento da semana. Chega-se de fininho. Instrui-se
uma idealização, e fato: ruídos e mais ruídos, mágoas e mágoa.
Posso até apostar que dentro da mecânica atual ficamos mais tempo
grunhindo farpas e derrotas, do que "borbulhando borboletas no
estômago". Contudo, não temos pessoas por perto? É... E as
almas? Não possuímos mais este item. Conseguimos um orgasmo - uma
risada. Porem o fundamental, a perspectiva, nem chegando de fininho.
Incrédulos
Cada
alma interessante que conhecemos gera um novo contexto: o
desencontro. O conflito de interesses por não estarmos mais tão
humanos acaba nos afastando de quem deveríamos providenciar um
afago. Trazer conforto na SÓ-LIDEZ. Buscamos uma terra de
Goshem - um Shangrila personificado. Um lugar, neste caso alguém,
que proporcione a recompensa pela frustração da semana anterior. E
neste círculo, ou ciclo, experimentamos o distanciamento. A tal
SÓ-LIDEZ, ou solidão com orgasmos, com juras de amor, e o pior
abraçado e despido, apenas com o travesseiro.
O
fim
No
final das contas temos de entender que precisamos ceder. Devemos
procurar paciência e compaixão. Consciência e conforto. Para
assim, quem sabe, um dia arrumarmos uma alma sólida e humana.