Félix compartilhou uma jarra de sangria com aquela moça de olhos azuis. Aos risos frouxos e totalmente bêbados eles se perderam em sonhos futuros, sem nenhum cabimento. Pensaram até no que fariam no inverno. Ilusões...
Na situação risonha houve inconveniência. Perderam-se por excesso e expectativa. O que de pronto eram goles virou um relacionamento de três meses.
As jarras seguintes foram perdendo a graça. Sonhos deixaram de ser sonhados e o inevitável e estagnado chegou. O que deveria ser uma conversa séria - talvez um término - ela adaptou para: “queria que assistisse a um filme, topa?”. Blue Valentine foi a indicação e a “deixa”. O recado da incompatibilidade foi dado numa cama, vendo um filme. O argumento da trama foi usado para terminar um namoro real. Félix arrepende-se de toda a tristeza testemunhada por Ryan Gosling. Afinal, no enredo de “Namorados Para Sempre” alguém saiu ganhando?
Félix gostaria de voltar no tempo. Repetir a primeira jarra de sangria sem esperar muito do que pudesse vir. Sem toda a expectativa e afobação determinada por interesse e paixão. Apenas reiterar o incerto, sem planejar - apenas deixando rolar - o que talvez pudesse ter acontecido se não tivessem planos embriagados numa ilusão para se importar.