Cola

Após devaneios repetidos entre uma chegada e partida, Oswaldo acorda para o dia que inicia. Ao ir no banheiro, já sozinho, nota que o box está cheio de post-it. Cada um deles com uma frase escrita a mão reproduzindo o poeta paranaense Paulo Leminski. Emociona-se! Afinal, é o seu autor predileto. Foi as lágrimas pela atitude despretensiosa e gentil. Ele ficou se olhando no espelho ali passivo. Sem saber mais nada sobre as coisas do coração.

A moça que estava com ele se fora - seguir sua vida. Porém, antes de partir - e bem quietinha - fez um gesto que jamais imaginaria vindo de algo fulgaz e com o relógio marcando a hora do seu voo, sem despedida, sem escalas. Talvez nunca mais a visse. Entretanto foi mágico. Ela quis registrar para nunca mais esquece-la. E assim ficou. Oswaldo nunca mais deixou de ler um haikai sem lembrar daquele momento extremante doce, empático e generoso.

Por algum tempo, no meio do seu passaporte havia um “bolo” de papéis pequenos amarelinhos, pregados um no outro. Que junto com a cola lhe dava força para seguir a diante. E quem sabe um dia poder reencontra-la.


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Como tudo começou: