"Don Octavio Flores" resgata sedutor mascarado. Uma tentativa de suicídio? Ou apenas um alarde para chamar a atenção? Depende do ponto de vista. Depende da compreensão e paixão de quem está assistindo o filme Don Juan de Marco (1994). Nada de análises éticas ou psicológicas. Tá? Me abstenho. Apenas emoção...
O filme teve efeito devastador em muita gente. Não aceitei a classificação "romance", dada na época. E sim, pra mim, um drama muito sensível sobre o amor e a humanidade. Uma narrativa de até aonde as pessoas podem ir perdendo seus sonhos em meio às rotinas. Entre o congelamento e escurecimento das emoções no tumulto do trabalho e às obrigações diárias. Ou ainda, do outro lado, rejeitando a realidade em prol de mais felicidade, amor e paixão pela vida.
Depois de 24 anos revejo tal obra. Lembro das aspirações, ingenuidades e visão romântica que tinha da vida. Meus cílios umedeceram do momento inicial, com o solo de viola e bandolim - da trilha original. Até o fim, com a eloquência de Marlon Brando e Faye Dunaway em performance carinhosa, acompanhados pela voz de Bryan Adams - na "Ilha de Eros".
Curtindo os créditos finais. Pensando na vida. Escutando "Have You Ever Really Loved a Woman?" - CLÁSSICO! Usando todos os lenços disponíveis para secar meus olhos da beleza vista e do saudosismo escrachado. Penso: por onde andam os costumes do amor projetado e sincero? (não que eu seja um exemplo - nada de moralismo). Perdemos o platonismo dos "dezesseis anos de idade"? Talvez esteja ficando velho. No entanto, percebo a ingenuidade rareando cada vez mais cedo. Agora, "Dezesseis", é adulto - ainda há poesia pulsando nas veias de quem usa uniforme e espreme espinhas?
Não consigo imaginar um Blockbuster nestes moldes hoje. Percebo que as grandes audiências e bilheterias são formadas por "conspirações, política e sangue". Não mais por amor. Não mais por mensagens positivistas e românticas. Não mais por esperança e ilusão. Até Stan Lee - quando projetou o Superman - sua expectativa era o promover o arauto de um futuro próspero e afetuosos. Hoje? Abandonou as grandes parábolas platônicas em prol de tiro, porrada e sangue, sem mensagem metafórica ao final - a criptonita dos tempos atuais venceu.
Torço para os mais novos terem acesso (e interesse) neste tipo de composição audiovisual. Torço em que o amor prospere e deixe de ser um "mozão" de festival, fluxo, rolê ou rede social. Espero de coração que, da mesma forma que me emociona um filme destes, possa emocionar a turma do "rabetão".