Seu João tem remendos em seu vinco para esconder a idade do jeans. Conta as moedas para passar a catraca. Dona Maria retira o guarda chuva de uma bolsa tratada com naftalina e sai da estação.
No circular-centro, em direção à praça, muitas Marias e “Joãos”. Todos sem escolha para ir, vir ou procurar emprego. Ou melhor, a alternativa nem é questionada sob a luz da dúvida em fazer o bem, cuidar dos seus ou acertar na educação.
Fé na honestidade? Tantos homens e mulheres sem nenhuma dúvida enfrentam a escassez sem atribuir ao remendo, ou à dificuldade em uma simples escolha. A via da normalidade - Aquela com muita "honestidade".
Em tempos de crise, alguns bradam: "todos são corruptos! A humanidade está perdida". Bem, para estes que conclamam a falta total de escrúpulos da sociedade, sugiro pegar um ônibus bem cedo. E ver milhares de "Marias e “Joãos" em pontos, terminais e estações, do mundo todo, com dois pensamentos: odiando ter que trabalhar e "que bom, garanti o pouso e comida das nossas crianças".
Honestidade? Imagino que esta palavra só deva ser usada em antagonismo aos que utilizam a prevaricação social em se promover. Ou até mesmo, se espantar com a decência inocente do bolso furado do Seu João.
Honestidade? Imagino que esta palavra só deva ser usada em antagonismo aos que utilizam a prevaricação social em se promover. Ou até mesmo, se espantar com a decência inocente do bolso furado do Seu João.