88 anos

Ali, naquela enfermaria, Reny via as cortinas azuis e os pés dos médicos (passando abaixo das divisórias). Pensava nas respostas que nunca tivera. Aquelas dúvidas que, mesmo aos 88 anos, permearam sua vida toda: minhas filhas são felizes? Meus netos, terão um futuro? E meu bisneto, o que será dele na adolescência? 

As angústias de deixar de querer viver, apenas desistir e interromper a velhice seria uma escolha? Reny ainda insiste no soro e nas injeções. Tratando a vida com seu fim de maneira natural e tentando ser bonita. Importando-se com cada visita. 

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Como tudo começou: