Usado

Sou usado. Velho e cansado. Os chinelos não cabem mais. As costas doem. Os amores não vingam. Dinheiro se vai. Nostalgia e culpa norteiam o cinza de Curitiba. Com a chegada, rosas murchas e cafés frios prometem um inverno solitário e infame. Um gelo de esquecimento e memórias inválidas. 

Nada do imaginado cabe mais no velho moletom. Ninguém mais ouve suas palavras, nem seus sussurros. Agora a sorte anunciada é o tic-tac do relógio. Dás horas que passam em silêncio. Sem remédio para a falta de pulsação. Restam uma lágrima seca, um sonho desfeito e muita vontade de recomeçar.

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Como tudo começou: