Ponto Num Papel Em Branco


Nos últimos 3500 km a única coisa que pensava era no papel e na caneta. Não nos que deveriam ter sido usados. E sim, no que estava levando. Queria ter pelo menos um rabisco. Um asterisco ao menos - na volta. No entanto, a esperança é que tenha "inicio, meio e fim". Seja o fim com reticências. Ou um outro fim, diferente, abrindo novo capítulo.

A borracha nem será usada com sorriso, chorando, ou dando uma piscadinha. O silêncio deixará de existir? Não combina com oito horas de voo rascunhando o passado. Nem mascando a tampa da caneta refletindo no cabimento das coisas. Realmente, sê uma coisa não faz sentido é a vida do jeito que é sem você. Sinto falta do entrelaçar dos pés. Sinto falta do rubor que nem deve ser escrito, rascunhado ou apagado.

Ao som de Chairlift tomo nota da intensidade da campainha - "quantas vezes será tocada?" Ou se o telefonema estará na nota de rodapé. Ou pior, se os papeis serão rasgados sem serem aproveitados. Como nada mais faz sentido, um papel pode ser usado como guardanapo e até como jornal. Apenas registros. O que ainda está por vir será sem razão. Apenas emoção picotada por uma régua ou lixo levado ao latão.

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Como tudo começou: